quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A origem do mundo

Hoje eu acordei, como de costume, reelaborando na cabeça as tarefas do dia. Pensei, pensei... faço isso ou aquilo? primeiro esse ou aquele lá? Nenhuma coisa nem outra. Optei por retomar um velho e obrigatório dever.
E estava lá, paginas e páginas se passaram. Ao meu lado, uma caneca de café como companhia... e eis que reencontro o Galeano num texto que eu escrevi meses atrás. Me perdoem, caro(a)s frequentadore(a)s deste blog, se pareço repetitiva. Infelizmente, temo dizer que serei assim mesmo! Este autor hidrata minhas veias.
Mas agora é por um motivo diferente, tomarei suas palavras para homenagear duas grandes amigas. Não que as outras não o mereçam, nada disso. Mas, por hora, quero mesmo é direcionar essas poucas palavras a essas pessoinhas que de forma peculiar colorem meus dias.
Uma delas, a prossôra, é uma pentelhinha de marca maior! Mas uma criaturinha cheia de virtudes, sabida que só ela, vai longe... Além disso, uma amiga sempre presente. Aprendi e aprendo a cada dia.
A outra, uma futura prossôra e uma cantadeira (como ela mesma diz) ímpar. Uma menina gente fina, esforço "mode on". É exemplo a ser seguido.
Não estranhem essa rasgação de seda. Não estou fazendo a média para um presente natalino, nem coisa parecida (embora, ganhar um livro não seja nada mau!), apenas socializando o orgulho que nutro por dividir minha vida com essas belas mulheres.

(...)

Para romper com a frieza e indiferença do cotidiano, opto por ser diferente!
Enfim, para terminar, segue um belo texto do Galeano.



A origem do mundo
A guerra civil da Espanha tinha terminado fazia poucos anos, e a cruz e a espada reinavam sobre as ruínas da República. Um dos vencidos, um operário anarquista, recém-saído da cadeia, procurava trabalho. Virava céu e terra, em vão. Não havia trabalho para um comuna. Todo mundo fechava a cara, sacudia os ombros ou virava as costas. Não se entendia com ninguém, ninguém o escutava. O vinho era o único amigo que sobrava. Pelas noites, na frente dos pratos vazios, suportava sem dizer nada as queixas de sua esposa beata, mulher de missa diária, enquanto o filho, um menino pequeno, recitava o catecismo para ele ouvir.
Muito tempo depois, Josep Verdura, o filho daquele operário maldito, me contou. Contou em Barcelona, quando cheguei do exílio. Contou: ele era um menino desesperado que queria salvar o pai da condenação eterna e aquele ateu, aquele teimoso, não entendia.
- Mas papai - disse Josep, chorando - se Deus não existe, quem fez o mundo?
- Bobo. Quem fez o mundo fomos nós, os pedreiros.

(Eduardo Galeano. O livro dos abraços)





Bom dia, minhas caras!!!! Amooooooooo...

Um comentário:

  1. Q bela homenagem :'( a molenga aq ta de olhos marejados!!
    Dependendo de mim usarei todas as cores do mundo pra colorir seu dia, Roseta!

    Um grande bjo!



    A ouvir: diariamente ♫

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