sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O convite do dia que vai ser

Por Luisa L.


Na distância do seu, sou eu e também ela
Dormes na bebida dos gregos
Do teu sexo, ousadia e desatino
Teus olhos rasgam com vigor a linha da minha racionalidade
És brutalidade seca 
Da dúvida, a dívida
Sou a ponderação de um riso rasgado
Tu, o gozo infinito de uma felicidade desgarrada


Mas, do lado do acaso

 o choque sacode

assim sou eu
                      & tu...



       

domingo, 16 de janeiro de 2011

Um tanto de memória...

 

Quem nunca sentiu vontade de agarrar uma boa lembrança para que não fuja? Ao contrário disso, quem nunca quis expulsar da cabeça aquele espaço de história nada agradável de lembrar? Por sorte, ambas as vontades nos escapam pelos dedos, e de uma forma tão autônoma que só nos resta seguir o curso.

Pois é, no campo da subjetividade, a objetividade dá um trabalho danado.

Nos últimos dias, tenho me deparado com uma quantidade significativa de fatos que remetem à questão da memória. Seja ela de forma individual, como um flash do meu vivido, seja ela evocada por situações de um cotidiano qualquer. Aos muitos que, como eu, não desfrutam de viagens de luxo, bebidas caras e emoções de plástico, só ela permanece,  a memória. A tal memória arde em mim. Poderia ter sido por outro motivo qualquer, certeza nunca terei, mas o fato é que mudar de cidade me fez ligar o botão rememorar. E desde quando?! Não sei ao certo.

Era 2002 ou 3, não importa. Desde então, a terra dos espertos marechais passou a guardar meus sonos. Economizo os olhos fechados, já abertos é fácil lembrar o que eu sentia. Não, não era Maceió meu lugar. Aos 18 ou 19 anos eu só sabia o que não queria. Por motivos que não cabem aqui, a terrinha passou a abrigar a mim e a meu irmão. Uma dor forte me tomava dias e noites, não pelo fato de morar em Maceió, mas pela forma como fui parar ali. Eu não precisava solicitar a ajuda de um Wikileaks para descobrir que uma corda seguraria meus sonhos.

Passados cerca de dez anos, um balanço pede passagem. Os pontos negativos foram muitos, mas a história aqui é outra. Os descompassos da minha história me deram belos e marcantes momentos. E são eles os atores dessa festa. Dos primeiros anos de labuta à vida acadêmica, muita Natália metamorfoseou-se. Vários foram os responsáveis. Ainda que eu tenha demonstrado a importância dessas pessoas, não fosse o meu lado xiita, os agradecimentos seriam às claras. 
  
Começando do começo
A moça cabisbaixa que não acreditava em utopias, depois de conhecer um certo trotskysta passou a entender que utopia não passa de um conceito utilizado pela burguesia para servir de sinônimo a tudo que represente a libertação e humanização do homem.  Para evitar constrangimentos maiores, não revelarei os nomes dos envolvidos nesta história. É que meu saldo bancário dá mostras de que eu não teria mesmo como pagar indenizações hollywoodianescas. 

Pois bem, foi com J que apreciei a leveza que a vida por muito tempo esquecera de me apresentar. Vale lembrar, na época, ele era um simples estudante de jornalismo, contador de histórias profissional e mentiroso, porque, dentre tantos feitos, um que sempre alardeava era o de dominar a arte do futebol. Mas isso pouco importava. Diariamente, J escrevia comigo páginas legais de uma vida sem frescuras mas de um colorido estupendo. Anos depois, J foi relocalizado, passou a ocupar novo posto, entretanto, sem nunca deixar de ser uma das peças principais do meu jogo.

Recomeçando do começo
Após quase 5 anos, outra Natália pediu passagem e eu deixei. Nossa, uma avenida nos divide, não é mesmo, minha cara?! Dessa vez, as páginas seriam escritas à base de tinta verde, de tanto que lembrava um quartel general. Brincadeira (ainda que um quadro de tarefas estampado na porta da geladeira tenha me causado um certo frio na barriga...)!! Posso dizer que foi o ano mais intenso que vivi. B e R são hoje muito mais que grandes amigas, com elas aprendi e aprendo tanta coisa. São, de fato, a girafa e a prossora mais queridas!!!!


Só pelo cheirinho bom do café que saía daquela pitoresca casa, já seria motivo para infindáveis histórias. Era o pretinho quente, por vezes regado de pão não menos quente, o responsável por juntar três mulheres ao redor da mesa e de três cães sapecas e de uma gata sagaz. Isso mesmo, a confusão era nessa ordem. "Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada".

Das reuniões regadas a vinho; do samba querido (oh, querido samba, que falta!); dos pitacos que dávamos na vida da(s) outra(s); do compartilhamento de leituras nas horas de estudo; de todos os momentos hilários ao som do chaqualhar das ondas e de outros nada engraçados, a todos eles, que saudade!

Muita história aconteceu. Vários atores somaram-se a essa lambança. Em especial, uma certa índia - uma visitante nada visitante; um grandão e uma parolita. Peço licença e desculpas desde já. De forma alguma relego a importância de todos os outros. Não se trata disso.

Como eu dizia no início, dá uma vontade danada de apertar esses momentos. Segurá-los, como faz um bebê quando aperta nossos dedos, e não deixar por nada que eles desapareçam. Pois é assim para mim. A cidade nova vai rechear ainda mais o meu quartinho de memórias, mas essas queridas pessoas, por tão amadas que são, nunca, nunquinha na vida, deixarão os largos espaços dessa melhor memória que tenho.

A pequena, a xiita, a lunga que vos escreve tá numa torcida ferrenha para, ainda que por caminhos tão literalmente distantes, que todos vocês continuem escrevendo páginas autênticas dessa vida utópica que a gente faz tão bem. 

Então, viva a utopia!!!!!!!!!