quarta-feira, 30 de março de 2011

Por entre veias e vielas



Era Veneza, mas bem que podia ser outro lugar qualquer. 
A noite, bela dama, transformava o cenário numa batalha de amantes.
Por entre os ladrilhos da rua, uma dona menina. Louca para ganhar o título de bela colombina.
Enquanto na esquina ele só a olhava. Timidez ou não, o fato é que estava ali por longo tempo. Se esgueirando pelas vielas geladas daquele lugar encantador. Ele a amava desde muito tempo, para ser exato, fazia 10 ou 20 minutos. Mas quem liga para isso? O corte que ela deixara em seu peito fora feito apenas com um olhar de relance.
A jovem era atrevida, percorria puteiros, andava sozinha já há algum tempo. E não demonstrava um tico de estranheza em ver aquelas mulheres a sorrir escaldantemente para quem lhes oferecesse o tal papel. Em resposta, elas também ofereciam o amor de plástico e o gozo fingido.
Mas a sapeca dona menina fincava o olhar, como se apurando tudo nos mínimos detalhes. Os sabores e cores. 
Sorria astuta. De lábios grossos, os empinava só para ofuscar os olhos sedentos daqueles homens. 
E passava, seguia o caminho de casa como fazia toda noite depois que saía da cantina onde trabalhava. Mas gostava mesmo era de brindar a noite por todo o caminho até onde morava.


Pronto, faltava pouco para chegar na sua rua. Mais um dia de uma sangue-suga a engolir o cotidiano com garras de fênix. Isso bastava a ela. O amor? esse ela nunca havia encontrado, e achava mesmo que ele tinha dobrado a esquina errada... porque não chegara até aquela hora.


quinta-feira, 17 de março de 2011

Estupraram a educação e chamaram-na de expansão!

Primeiro me dizem que expandir é igual a fazer crescer, a dar oportunidades, a incluir. Tudo bem, até que a ideia parece boa. Afinal, quem não quer sair da tônica do apenas saber ler/escrever pra entrar no mundo dos dotôr?!

Agora me chegam com um tal de Reuni. Programinha mais esperto esse. Faz a gente acreditar que enfiando mais gente numa sala e dando mais trabalho pro professor vai deixar o povo mais sabido. Sabideza besta essa...

A educação dos rico continua uma lindeza.  Os fio dos homi de terno não precisam disso não. Tem carro, casa grande e universidade nos esteite de montão. Faz viagem o ano todo, estuda num tar de cursinprevestibular e passa em qualquer lugar.

Já a gente, os de baixo, cá embaixo mesmo precisamos nos enfiar nas escolas de faz conta. Os professor faz de conta que ensina e nós que aprende. E isso dura é muito. Dura o suficiente pra gente acordar num dia e perceber que chegou a hora da inscrição no vestibular e que ainda falta é tanto pra gente ficar sabido pra concorrer com esses tar.

Mas aí vem o governo e diz pra gente que nossa hora chegou. Que agora tem um tal de ProUni, que deixa a gente estudar nas universidades pagas; Um tal de Reuni, que vai dar muita vaga mesmo pra quem quer estudar. E como se não bastasse, ainda podemos estudar em casa. Numa tal de educação a distância. É os professor lá e nós aqui. Isso é que é tecnologia!

E tem mais. Tá pensando que é só isso? né não. Esse tal governo também quer colocar mais gente nas escolas técnicas. Uns tar de instituto tecnológico. O nome é bonito, isso ninguém pode negar. 
Disseram que pro país crescer tem que ser com a ajuda de todo mundo. Acho que é um tal de faz o teu que eu tenho que fazer o meu também.

Mas aí, um dia eu começo a ouvir de uns professor que ensinam nesses lugar que as coisa não tão lá tão boas. Dizem que a moda é arrochar: 
a) mais aulas no professor substituto;
b) com menos contratação de pessoal;
c)com mais cursos começando. Mas sem biblioteca, laboratório e até mesmo lugar pra chamar de universidade.
d) no aluno, que vai estudar e não tem professor; comida pra dar sustança; transporte decente... Isso pra começar...

Acho mesmo que esse negógio é faz de conta dos grande. Outro dia cheguei em casa e liguei a TV. Tava a dona presidente falando que ia precisar suspender nomeação, ia cortar as verba da educação. Mas que a gente não ficasse triste, porque ela ia manter a política de expansão.






domingo, 6 de março de 2011

O dobro de tudo


Certeza ela não tinha (mas e quem tem mesmo?)
Da larga fresta que transpassava seu coração, vários tinham sido os que nele repousaram.
Mas, era uma noite chuvosa... e agora, como seria?
Restava o barulho das gotas a tocar o velho telhado, o cheiro da areia recém molhada e a xícara de café  sobre a mesa, ainda na espera.
 Mas ele não chegou, e nem o faria por um longo tempo... a largura dos dias se apresentava cada vez mais presente.



Os P   I   N   G   O   S podem ser percebidos mais calmos, a travessura tinha ficado na noite anterior
Agora era a vez dele, o sol.
De belos e ofuscantes amarelos, se exibia a todos os dispostos à brevidade ou não, 
aos insones que bebiam a noite aos goles e vomitavam no dia os sentimentos que ainda suavam na mente.



Ela abre os olhos, solta um sorriso gargalhado e olha ao seu lado.
A cama continua a mesma: quatro pés envoltos numa vontade nada cálida de pisar a vida, só pra exibir os calos que valem à pena.
É, foi um sonho. Ela percebeu.
Desses que só aumenta o desejo do toque, do sabor, do cheiro.


E tudo permanecia intocável: o dobro de tudo
... corações, pernas, pés, sofrimentos, aconchego, TROCA... (ainda que

                                                                           ToRtA, TOCA)

Ela olha o relógio, ainda cabem os costumeiros 10 minutos a enganar a história.
Outro sorriso, um (e)nlace seguro e o melhor dos sonos.