Pular para o conteúdo principal

Estupraram a educação e chamaram-na de expansão!

Primeiro me dizem que expandir é igual a fazer crescer, a dar oportunidades, a incluir. Tudo bem, até que a ideia parece boa. Afinal, quem não quer sair da tônica do apenas saber ler/escrever pra entrar no mundo dos dotôr?!


Agora me chegam com um tal de Reuni. Programinha mais esperto esse. Faz a gente acreditar que enfiando mais gente numa sala e dando mais trabalho pro professor vai deixar o povo mais sabido. Sabideza besta essa...

A educação dos rico continua uma lindeza.  Os fio dos homi de terno não precisam disso não. Tem carro, casa grande e universidade nos esteite de montão. Faz viagem o ano todo, estuda num tar de cursinprevestibular e passa em qualquer lugar.

Já a gente, os de baixo, cá embaixo mesmo precisamos nos enfiar nas escolas de faz conta. Os professor faz de conta que ensina e nós que aprende. E isso dura é muito. Dura o suficiente pra gente acordar num dia e perceber que chegou a hora da inscrição no vestibular e que ainda falta é tanto pra gente ficar sabido pra concorrer com esses tar.

Mas aí vem o governo e diz pra gente que nossa hora chegou. Que agora tem um tal de ProUni, que deixa a gente estudar nas universidades pagas; Um tal de Reuni, que vai dar muita vaga mesmo pra quem quer estudar. E como se não bastasse, ainda podemos estudar em casa. Numa tal de educação a distância. É os professor lá e nós aqui. Isso é que é tecnologia!

E tem mais. Tá pensando que é só isso? né não. Esse tal governo também quer colocar mais gente nas escolas técnicas. Uns tar de instituto tecnológico. O nome é bonito, isso ninguém pode negar. 
Disseram que pro país crescer tem que ser com a ajuda de todo mundo. Acho que é um tal de faz o teu que eu tenho que fazer o meu também.

Mas aí, um dia eu começo a ouvir de uns professor que ensinam nesses lugar que as coisa não tão lá tão boas. Dizem que a moda é arrochar: 
a) mais aulas no professor substituto;
b) com menos contratação de pessoal;
c)com mais cursos começando. Mas sem biblioteca, laboratório e até mesmo lugar pra chamar de universidade.
d) no aluno, que vai estudar e não tem professor; comida pra dar sustança; transporte decente... Isso pra começar...

Acho mesmo que esse negócio é faz de conta dos grande. Outro dia cheguei em casa e liguei a TV. Tava a dona presidente falando que ia precisar suspender nomeação, ia cortar as verba da educação. Mas que a gente não ficasse triste, porque ela ia manter a política de expansão.


Por Natália Freitas









Comentários

  1. Talvez um e) "Arrochar um monte de coisas" que não funcionam...

    Esse "faz o teu que eu tenho que fazer o meu também" pode parecer muito bonito, responsável, solidário, comprometido com todos os cidadãos... Mas essa "cooperação" não me parece tão inocente assim... Se voltarmos um pouquinho no tempo, veremos que o governo militar quis "alfabetizar" o povo utilizando-se de um argumento parecido ao criar o Mobral.

    Mas deve estar tudo bem. Afinal, nossa presidente, representação forte das mulheres desse país (sic), disse lá naquela revista que o Brasil é "capaz de escolher seu rumo e de construir seu futuro com o esforço e o talento de todos os seus cidadãos". Deve estar tudo bem. O desenvolvimento chegando, PIB aumentando, educação expandindo, mulher brasileira protegida (onde?!), Ministério da Cultura abrindo horizontes (p'ra arrecadação do ECAD, deixa quieto), Obama gentilmente deixando sua contribuição (p'ra o Pré-Sal, ocupação no Haiti, etc,etc) lá de cima com sua ilustre visita...

    Então, excelente texto. Se falei alguma besteira, pode puxar minha orelha...

    ResponderExcluir
  2. falou certinho, minha cara! é isso mesmo. matou a tia de orgulho.
    que bom que gostou do texto, ele materializa algumas angústias dos últimos dias.
    Beijos!

    ResponderExcluir
  3. E olhe q são apenas 3 meses de governo! Imagina os proximos 3 anos...kda um q entre no governo q deixe a metralhadora engatada só esperando o disparo! E os alvos?!...um deles é a educação!


    Mais uma vez, pra variae só um pouquinho, um post e tanto sobre essa realidade!

    bjin

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Memória, a paga do tempo

- Eu rasgaria o tempo assim pudesse!
- O tempo não, a lembrança dos que dele lembram.

(...)

Vejo uma rua.
Sessenta e quatro ladrilhos a me apontar que o esgoto ainda fede.

(...)

Baco treme em risos e avisa a Zeus que a composição desta estória está vermelha de seus melhores vinhos.

(...)

Direcionam ao meu front canalhices de toda ordem. E até me fazem crer que a minha história anda atordoada, esquizofrênica.

(...)

E lhes respondo: Sim. Na minha esquizofrenia, ouço vozes de um passado expurgado com sangue, silêncio e dor.

(...)

E a minha história, meu caro, agora acende um cigarro, respira fundo e espera as cortinas se abrirem para o espetáculo recomeçar!


Por Natália Freitas



Cabrita solta

Há tantas elas em mim Negras há Indígenas também Há tantas elas em mim Amasiadas Largadas Amadoras Rasgadas Sabedoras Há tantas elas em mim E por todo lugar que passo Uma delas tá ali Em dia de sol danado Solta o aço dos dentes Há tantas elas em mim Passeia molhada e descalça De ventre esguio e cabelos maremotos Há tantas elas em mim Saiu sozinha na madrugada Quebrou regras, vielas Ergueu o copo limpo questionável Brindou à morte, aos orixás, à vida Kalunga Há tantas elas em mim E não há nenhuma Que detenha Explique Defina Nesse mundo todo Quem delas mais assobia: Muié, eu to aqui


Por Natália Freitas

Um risco

há um encanto em suas linhas
um punho que apruma e ruma ao novo
giro e mais giro. e outro giro. tu te mostras
extrapola os teus círculos. posso sentir
caligrafia obedecida
voz empostada
sobraram as brechas
preenchidas pelas deformidades
avulsas
incoerentes
tangentes
de um mesmo caminho solitário
que une a todas nós
somos letra pra fazer poema
somos alfabeto pra fazer revolução

Por Natália Freitas