quarta-feira, 25 de maio de 2011

Los treinta y seis colores de una vida


A falta de habilidade no primeiro beijo oferece a duas pessoas as mais variadas sensações. Na língua parecem habitar todos os espinhos de um tal porco. Na pele, anúncio do caos, gotas de suor brotam por toda parte. As mãos querem, mas não sabem onde tocar. Os olhares tropeçam seguidamente de olhos em olhos; de olhos no chão ou num ponto fixo qualquer. Mas, quando ele realmente acontece, somos tomados de seguida sensação de quero mais.



A segunda-feira começa a duras penas. O corpo pede, melhor, suplica a volta do domingo. Um mau humor inevitável dá o recado: 
 - Melhor ficar na cama, conselho gratuito a essa hora, só o meu mesmo... 
Mas o sol insiste em sorrir da forma mais ingrata que pode. Daí, chegamos ao final do dia e percebemos que o sorriso descompromissado de uma certa criança por entre os ombros da mãe e aquele aluno te pedindo uma revisão no trabalho de português (ainda que você seja de história) nos resgataram do que poderia ser só mais uma segunda. 


Te incomoda o estranhamento das pessoas onde você mora. Elas sofrem ao dar bom dia. Você então se acostuma. Certa tarde, você passa - ainda que distante - por uma jovem e um senhorinho que não mais anda. Ela o leva para beber os poucos raios de sol existentes naquela hora. Obedecendo às regras, você caminha calada. Para sua surpresa, ouve um estridente booooooooa tarde saindo de uma boca de poucos dentes e de grande sorriso.




Os personagens do Gabriel García Marquez trazem velhotes tarados por mocinhas de vinte anos ou menos, ainda sim, a poesia de suas narrações nos transportam para um universo onde as sensações carnais evocam muito mais cheiro, ardor, cores e sabor - ainda que na cena apenas existam costas nuas, uma fresta de luz e um copo de água de ontem.  



Para Eduardo Galeano, a América Latina mais parece uma mulher polaróide: ora de belos cabelos espalhados na grama, ora sangrando após um estupro. Mas é por meio desse movimento que ele nos apresenta em poucas linhas e com figuras toscas a vivacidade de povos que insistem em respirar.



Nesse bailado, corremos ao encontro daquilo que nos escapa. Ainda que fechemos as mãos bem forte, ainda que fiquemos com a boca serrada, ainda sim, escapa.




O CONTROLE.




quarta-feira, 4 de maio de 2011

Lacunas e cafunés



Fazia parte de seus dias as trelas, 
comer frutas dependurada em árvores,
também os machucões e as noites mal dormidas por conta desse ou daquele corte que lhe doía.
Mas sabe o que ela mais gostava? dos cafunés que surgiam entremeados pelas palmadas matinais, vespertinas, noturnas ou isso tudo.
Por mimo, medo do escuro, por pesadelo ou, ainda, medo do carão que a tia lhe deu por derrubar refrigerante naquele caderno verde de páginas amareladas que sempre rasgavam quando precisava usar a borracha... independente do motivo ela sempre estava lá, pronta para sentar no chão e por lá ficar horas e horas ao lado da cama da menina peralta. E era um cafuné primoroso...
... máquina alguma se assemelha!

Devia ser direito de todos: cafuné para começar bem o dia. Cafuné para aproveitar aquela noite chuvosa. Cafuné para se salvar dos pesadelos. 
Aposto que assim a vida seria mais colorida. 
As pessoas adoeceriam pura e simplesmente para ganhar cafuné e não ficariam saradas por um longo tempo.

Vida vai, vida vem e uma coisa me preocupa, 
faltam mãos no mercado ou saiu de moda se aprochegar num colinho bom?!

Ainda sim, era muito bom. Sinto os dedinhos até agora...