domingo, 31 de julho de 2011

O que se faz com a educação parte I – tornar-se professor

Quando criança ouvia minha mãe dizer que escola era lugar de quem queria "estudar pra virar gente". 

De lá pra cá muitos anos se passaram. Muita coisa mudou na minha vida, exceto o tamanho. Mas isso é outra história.
Eu mudei de estado, abandonei a ideia de ser jornalista e de realizar o sonho da minha mãe de me ver dizendo boa noite em horário nacional. Desculpa, mãe, eu tentei!
Uma coisa, no entanto, não mudava. Eu continuava estudando. Não sei se mais, se menos. Com mais desprezo aos tradicionalismos dos livros, isso sim. Talvez por esse motivo eu tenha escolhido estudar História. Bem isso, "estudar" história e, não, "fazer" história, porque ao momento tudo que eu via me fazia crer na impossibilidade do indivíduo ser um agente histórico.


Não sei se me entendem. Não falo de uma história qualquer, onde somos meros assimiladores culturais. Refiro-me àquela onde homens e mulheres conseguem pintar o cotidiano com cores bem diferentes do mero rosa forjado.


E, então, a vida seguiu. Me formei e fui impelida a cair em campo, ou melhor, em sala. Dei aula de tudo. Para todo tipo de público. E eis que chegava a hora de cair de cara na tal história para qual tinha estudado. Eu lembrava da época de colégio e me questionava se passara anos na universidade para repetir o modelo de professor que norteou minha vida. Salvas exceções, é bem verdade. Já que tive uns modelos bem demarcados. E não, não era o que eu desejava.


Havia aprendido com alguns exemplares literários, tais como o velho barbudo, Marx, e com um certo poeta de "veias abertas", Eduardo Galeano, a amar o humano em seu sentido material.
E, nos poucos anos seguintes, havia aprendido a seco uma dura lição: a educação, por mais avançada que seja, nunca libertará o homem por completo. É necessário mais. O indivíduo é idéia, mas é imprescindível que a ela se some à ação.


Para mim, de nada ou pouco valia vomitar assuntos acerca do desenvolvimento da humanidade. Faltava a essência. Faltava o óbvio. Dar fala aos verdadeiros protagonistas. Era o servo, o escravo, o proletário. Estava decidido. Eu seria mera intérprete dos que nunca tiveram espaço na famosa e grandiosa roda da história. Mais isso só também não bastava. 


E essa história continua...

terça-feira, 26 de julho de 2011

"Todo amor que houver nessa vida"





Este texto não é para você, leitor algum, leitor qualquer.
Também não o é para aquele que o acha que é: alguma coisa, alguma crítica.
Aqui cabe muito mais.


São palavras retorcidas de minhas entranhas que só buscam nascer.
Mas eu me estremeço, me torço, me encolho.
Finjo que durmo. É mais fácil.
E na calada da noite uma dor muito forte me toma.
Chamo o médico. Ele não vem.
O parto é inesperado. 
E, por entre as últimas fagulhas da penumbra, eis que me deparo com um leito
molhado, suado, de lençóis manchados.
Pois é, elas saíram.
Não têm meus olhos, nem meu torto nariz.
Entretanto, não fogem ao seu destino de joelho.
Como todas as outras: berram, exigem atenção e comida.
Também, como todas as outras, me enebriam com o cheiro particular,
com o macio da pele, com a tranquilidade do melhor dos sonos.
E, quando parecem minhas, lançam-se a  fazer companhia a um outro qualquer.