terça-feira, 26 de julho de 2011

"Todo amor que houver nessa vida"





Este texto não é para você, leitor algum, leitor qualquer.
Também não o é para aquele que o acha que é: alguma coisa, alguma crítica.
Aqui cabe muito mais.


São palavras retorcidas de minhas entranhas que só buscam nascer.
Mas eu me estremeço, me torço, me encolho.
Finjo que durmo. É mais fácil.
E na calada da noite uma dor muito forte me toma.
Chamo o médico. Ele não vem.
O parto é inesperado. 
E, por entre as últimas fagulhas da penumbra, eis que me deparo com um leito
molhado, suado, de lençóis manchados.
Pois é, elas saíram.
Não têm meus olhos, nem meu torto nariz.
Entretanto, não fogem ao seu destino de joelho.
Como todas as outras: berram, exigem atenção e comida.
Também, como todas as outras, me enebriam com o cheiro particular,
com o macio da pele, com a tranquilidade do melhor dos sonos.
E, quando parecem minhas, lançam-se a  fazer companhia a um outro qualquer.









3 comentários:

  1. A cada dia me surpeendo com as suas palavras. Arrebatador desde a observação inicial ao leitor.

    De um fã que não quer se identificar, mas seu nome começa com "Ze" e termina com "ca".

    bj

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