Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2012

Mediocridade, dá um tempo!

Já nem faz tanto tempo assim ou faz?
Minha memória rouca insiste.
(...)
A falha é a melhor demonstração das tentativas. Dela podemos resgatar aquele eu que, por muitas vezes, tentou.
(...)
Mas o dia segue cinzento, como que dizendo:
- Não, eu não te quero.
(...)
Pessoas andarilhas passam.
Passeiam e, até mesmo, estacionam.
O trânsito tomou suas vidas, não tem jeito. Estão engarrafadas.
O sinal parece sempre estar vermelho.
Não há espaço para o sossego, a ousadia e a violência do amor (en)carnecido (aquele que, de tão suave, enternece e escarneia).
(...)
Queria eu o vibrar da garganta de um poeta.
Mas não, minhas palavras são usadas.
Fracas.
Com sinônimos.
(...)
O que eu desejo? perguntaria você.
Uma injeção de vida para uma veia bem pulsante.
O rasgar da pele, por pura vontade de ter.
O abuso do sorriso zombeteiro.
O frescor daquele cheiro que senti aos cinco anos, quando a vida era toda minha.
(...)
E eu te pergunto, meu caro.
É nessa merda que planejas teu pranto?
(...)
A mim não s…

Divagando devagarinho

Cabiam muitos metros naquela estrada. Cabiam-lhe  também o coração apertado e o odor de seus pensamentos. Mas, não mais do que isso, não mais.
A cada 10 passos, uma olhadela para o passado. E mais 10 e outros 10 e outros e outros... a mesma olhada, o mesmo passado.
Há dias caminhava. Deixara sua cidadezinha (melhor seria dizer que fugira) sem ao menos esperar o sol se espreguiçar. Não adiantaria. Ela estava decidida. Juntou todas as coisas de que mais gostava: um chaveiro, o pijama rasgado e aquela foto maltratada pelo tempo. Abriu a porta de mansinho, não queria acordar ninguém, e firmou os passos sem ao menos dizer adeus. - Perda de tempo, julgou ela. Não há adeus suficiente sem que antes nos tenha ordenado o coração e nossos pensamentos. Disso ela sabia bem.
Logo que o dia se contrapusesse ao sumiço dela, todos diriam em uníssono: - Invencionice. Aqui tinha de um tudo. Comia bem. Dormia bem.
...
Ela também não conseguia explicar com a pureza da razão. Somente sentia a falta e sabi…

A poesia da falta

Não há escárnio na dor Há somente o esquecimento do amor Por um minuto sequer Se se pudesse ter O prazer daquilo que não purifica a alma Mas que, de tanto prurido, faz coçar, arder
Sou o ar indigesto da felicidade pueril Sinto falta da poesia que me falta Temo a ausência orgânica
O soro que percorre minhas veias não ventila meu peito


Cadência sim. Decadência, jamais!

Ó, meu amor, a ti devoto todo meu querer
No riso, na dor, no labor e, ainda mais, no amor
É nos teus braços que desejo me entregar
Num bailado quebrado, atrapalhado e nada ensaiado desejo rodar
Por esse salão tão meu, tão seu 
Que faz da minha vida mais vida 
E que leva junto conosco todos aqueles sorrateiros 
Que, ao menos por uma noite, se deixam levar


A mediocridade nos deixou, por pura birra. 
Teimando em ser burra por não gostar de sambar
E pra ela respondemos: 
- Vá ser burra sozinha, porque queremos mesmo é sambar!

A insensata leveza que deveria ser

Cotidiano maldito esse. Faz de nós meros espectadores de nossas próprias peças. 
(...)
Ana, que amava Paulo, não considerava ter os atributos necessários para conquistá-lo. E ele somente amava os astros, estrelas... a solidão. Rebeca percorreu milhares de quilômetros para realizar aquela seleção de trabalho para qual tanto se preparou. Mas, tadinha, chegou sete minutos atrasada... o suficiente para que descontroladas lágrimas percorressem seu rosto. Um ninguém (que já foi alguém) está sentado na frente de uma agência bancária a implorar por moedas aos que lá passam. Uma pedra que sequer causa tropeços. O sr. Najif Nassuh, dono de grande patrimônio, realiza mais um dia os movimentos rotineiros: pouco trabalha, muito suga e sabe utilizar como ninguém seus direitos de cidadão afortunado. No mundo animal (aquele definido até certo tempo de irracional) a coisa funciona tal qual a melhor das orquestras. Cada um com seu papel definido, mas com uma afinada interdependência. Na casa 31 de uma vila es…