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A insensata leveza que deveria ser

Cotidiano maldito esse. Faz de nós meros espectadores de nossas próprias peças. 

(...)

Ana, que amava Paulo, não considerava ter os atributos necessários para conquistá-lo. E ele somente amava os astros, estrelas... a solidão.
Rebeca percorreu milhares de quilômetros para realizar aquela seleção de trabalho para qual tanto se preparou. Mas, tadinha, chegou sete minutos atrasada... o suficiente para que descontroladas lágrimas percorressem seu rosto.
Um ninguém (que já foi alguém) está sentado na frente de uma agência bancária a implorar por moedas aos que lá passam. Uma pedra que sequer causa tropeços.
O sr. Najif Nassuh, dono de grande patrimônio, realiza mais um dia os movimentos rotineiros: pouco trabalha, muito suga e sabe utilizar como ninguém seus direitos de cidadão afortunado.
No mundo animal (aquele definido até certo tempo de irracional) a coisa funciona tal qual a melhor das orquestras. Cada um com seu papel definido, mas com uma afinada interdependência.
Na casa 31 de uma vila esquecida pelos ânimos da modernidade vivem uma senhora e menina astuta.  Ninguém nunca viu as duas juntas passeando na rua. Ora é uma, ora a outra. Sabe, dizem que é pura feitiçaria. Que na verdade as duas são a mesma pessoa. Parece até história de moça donzela que é transformada pela bruxa malvada em cisne.
O fato é que, mentira ou não, as danadas são como água e óleo.
Marcos conseguiu o emprego desejado. E o melhor, segundo o gerente, é sua inexperiência. Assim, a empresa vai poder untá-lo e colocá-lo na forma.

(...)

E, nesse imbróglio todo, as peças seguem. Os atores, no entanto, não sabem sequer para qual papel foram selecionados. Isso pouco importa. A gerência dessa sociedade maluca atenta que para nos tornarmos indivíduos empregáveis precisamos atuar e encarnar todos os papéis.

(...)

Mais um dia caiu. Lá vai ela por entre as nuvens. Um bailado tão adestrado, tão sedutor. Poucos a viram, veem e verão. Tem gente que nunca vai levantar a cabeça para olhar o céu. Isso porque o peso que lhes atravanca ombros, pescoço e todo o resto trepida por descanso. E olhar para o céu exige muita perda de tempo.

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ID essência

Água. Chaleira. Café.
Ebulição.  Camomila. Água. Chá. Transição. Sampa. Sopro. Pulmão. Poluição. Catavento. Ar. Criança. Distração. Corpo.Velhice. Morte. Evaporação. Casa. Imagem. Memória. Talhação. Caderno. Palavras. Tempo. Deglutição. Pés. Mar. Felicidade. Coração.


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Quando chuva depois do almoço a gente dor…