domingo, 8 de novembro de 2015

Retorno ao ponto de partida!


Quando criança, eram poucas as brincadeiras em que eu e minha mãe interagíamos.
Naquela idade eu nunca ia entender mas o motivo era que que dona Ninutia teve que assumir
o posto de um fogão aos nove anos para que meus avós saíssem para trabalhar (mesmo que para isso ela precisasse de um banco para alcançá-lo).
E assim fora por anos, dona Ninutia, minha mãe, cozinhando para quase dez irmãos.
Então, da infância solapada, Ninutia lembrava de duas peraltices de sua pequenez que eram igual a ouro pra bandido.
Vamos lá?!

1) Pra você que gosta de manga a receita é chupá-la e se lambuzar até não guentar mais. Epa! Calma um pouco, que dona Ninutia dizia que o brinquedo só funcionava se você se segurar e conseguir deixar o caroço ainda doce e cheio de "cabelinho".
Bozo
1.1) Em seguida, a senhora minha mãe tomava o caroço da minha mão bem delicadamente num "me dê logo isso, mundiçada. Daqui a pouco engole até o caroço." e ia lavá-lo com xampu e creme (isso mesmo, salão de beleza pra caraço de manga!).
1.2) Depois de lavado e devidamente peteado (tipo palhaço Bozo, com a diferença de que rolava uma franjinha no sr. caroço), minha mãe desenhava uma carinha muito bem elaborada e prendia um cordão com um preguinho para que eu pudesse sair pela rua a puxar meus lindos caroços.
Eu adorava aquilo! Corria pra lá e pra cá.
Sabe o que era a sensação de poder ter quantos bonecos você quisesse (tudo bem que a barriga dava uma inchada!)? Só VOCÊ?

(...)

Se você largou esse joguinho barulhento e caro e entrou na minha, a próxima parada irada que dona Ninutia me deixou de legado foi o desenho cego. Oxe?! Sabe não, é?! Ah, então ganhei mais um ponto!
Desenho cego é melhor do que assistir jogos mortais comendo iogurte de morango com geleia de frutas vermelhas. Sacou a piada?! Não... então vamos ao desenho, porque você está pior do que eu imaginava, mas tem salvação. Eu estou aqui!

2) Dona Ninutia pegava folhas e lápis (nada de borracha, vuh!).
2.1) Ela mandava todo mundo fechar os olhos. Nada de enganar. O melhor da brincadeira é justamente isso. Em seguida, dona minha mãe pedia pra gente pensar numa imagem: pessoa, lugar, animal... valia de tudo.
2.3) Ainda de olhos fechados, nosso trabalho era transferir para o papel aquilo que fora pensado. Imagine o trê lê lê que dava. Era um tal de todo mundo tão concentrado e rindo, que num sei não!
2.4) Aah, mas a melhor parte era quando abríamos os olhos. Era cachorro sobre nuvem, dona Ninutia embaixo da casa (que "não tinha tenho, não tinha nada")... e ríamos, ríamos, ríamos muito tentando decifrar que diacho era aquilo que a outra criança tinha desenhado.

(...) E você pensa que dona Ninutia se salvava das "mangações"? nadinha. Ela, como criança, tava ali era pra brincar.





P.S.: E assim eu retorno a este espaço que me é tão paridor de sensações e lavador de nós que só aqui sou capaz de me desconstruir para seguir indo. Agradeço!



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