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Extrema(zia)

Andei parada na inobservância dos tempos
Não quis entrar
Perdi-me nos aléns das brechas Asiáticas
O alento escuro esfriou a tinta
Não quis entrar
Poesia perdera-se no meu sertão molhado
Havia incômodo naquelas transparentes páginas impressas
Não quis entrar
Consultei astros de toda ordem... ah, aquela linha! era minha...
Só depois descobrira!
(...)
Rasguei meu veto
Lambi letras em regras tortas
E quis entrar


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Memória, a paga do tempo

- Eu rasgaria o tempo assim pudesse!
- O tempo não, a lembrança dos que dele lembram.

(...)

Vejo uma rua.
Sessenta e quatro ladrilhos a me apontar que o esgoto ainda fede.

(...)

Baco treme em risos e avisa a Zeus que a composição desta estória está vermelha de seus melhores vinhos.

(...)

Direcionam ao meu front canalhices de toda ordem. E até me fazem crer que a minha história anda atordoada, esquizofrênica.

(...)

E lhes respondo: Sim. Na minha esquizofrenia, ouço vozes de um passado expurgado com sangue, silêncio e dor.

(...)

E a minha história, meu caro, agora acende um cigarro, respira fundo e espera as cortinas se abrirem para o espetáculo recomeçar!



ID essência

Água. Chaleira. Café.
Ebulição.  Camomila. Água. Chá. Transição. Sampa. Sopro. Pulmão. Poluição. Catavento. Ar. Criança. Distração. Corpo.Velhice. Morte. Evaporação. Casa. Imagem. Memória. Talhação. Caderno. Palavras. Tempo. Deglutição. Pés. Mar. Felicidade. Coração.


Guerras

Estou agora numa leitura.
Sobre um tempo de guerras e de pessoas costurando dignidades.
Estou agora absorta em mim. O livro já está sobre o colchão e eu em ti.
Não é possível, disse-me o tempo. É urgente, disse-me a memória.
Ela vagou sobre mim. Abriu uma trincheira insólita.

Vejo meu corpo deitado. Estou molhada da lama. E olho para o céu.
Uma vontade dilacerante de te contar por onde andei esses anos.
A razão me pune. Diz pra eu ficar muda e intacta.
A lama continua a umedecer minhas costas e cabelos.
E eu agora só queria te contar cada página desse livro, como nos velhos tempos.
A razão me chama tola. Me deixa de castigo, ali.. com o corpo úmido de lama.
Então me viro. Puxo o lençol e fecho os olhos.
Outro bombardeio.