Mediocridade, dá um tempo!



Já nem faz tanto tempo assim ou faz?
Minha memória rouca insiste.

A falha é a melhor demonstração das tentativas. Dela podemos resgatar aquele eu que, por muitas vezes, tentou.

Mas o dia segue cinzento, como que dizendo:
- Não, eu não te quero.

Pessoas andarilhas passam.
Passeiam e, até mesmo, estacionam.
O trânsito tomou suas vidas, não tem jeito. Estão engarrafadas.
O sinal parece sempre estar vermelho.
Não há espaço para o sossego, a ousadia e a violência do amor (en)carnecido
(aquele que, de tão suave, enternece e escarneia).

Queria eu o vibrar de uma garganta poeta.
Mas não, minhas palavras são usadas.
Fracas.
Com sinônimos.

O que eu desejo? perguntaria você.
Uma injeção de vida para uma veia bem pulsante.
O rasgar da pele, por pura vontade de ter.
O abuso do sorriso zombeteiro.
O frescor daquele cheiro que senti aos cinco anos, quando a vida era toda minha.

E eu te pergunto, meu caro.
É nessa merda que planejas teu pranto?

A mim não serve. Devolvo.
Prefiro suar no tempo onde as pessoas burlam as leis criadas pelas hordas da moralidade fétida.
Junto-me aos ácidos de pensamentos, molhados de sentimentos e vulgares de coração.


Por Natália Freitas


Comentários

  1. Pra memoria rouca:
    gengibre.
    Para andarilhos:
    caminho.
    Para o que não serve:
    devolução.

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  2. Lee, adorei a casadinha. Obrigada pelo presente!

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