Pular para o conteúdo principal

Voz rouca

Fogos, ardor, clamor: defesa interna já!
Psiiiu! ouça, eles riem, ouve-se ao longe
Outros nem isso
Calam-se as greves e as Ligas
Também seus filhos, homens de construção
A juventude insiste, resiste... é abatida
Vermelho, de luta, de sangue
Mudar
Apagar
Silenciar
Forjar
Omitir
Cegar
Verbos do sim e do sim senhor
Pais mutilados, mulheres estupradas e também as leis
Crianças órfãs... de um passado, de um presente e de colo
Muitos a errar, errar por não querer calar, aceitar, exilar

... numa sala qualquer do  DOI-CODI cai mais um "subversivo"
Em casa, uma mãe tira o bolo do forno, prepara o café e espera a chegada do seu.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Memória, a paga do tempo

- Eu rasgaria o tempo assim pudesse!
- O tempo não, a lembrança dos que dele lembram.

(...)

Vejo uma rua.
Sessenta e quatro ladrilhos a me apontar que o esgoto ainda fede.

(...)

Baco treme em risos e avisa a Zeus que a composição desta estória está vermelha de seus melhores vinhos.

(...)

Direcionam ao meu front canalhices de toda ordem. E até me fazem crer que a minha história anda atordoada, esquizofrênica.

(...)

E lhes respondo: Sim. Na minha esquizofrenia, ouço vozes de um passado expurgado com sangue, silêncio e dor.

(...)

E a minha história, meu caro, agora acende um cigarro, respira fundo e espera as cortinas se abrirem para o espetáculo recomeçar!



ID essência

Água. Chaleira. Café.
Ebulição.  Camomila. Água. Chá. Transição. Sampa. Sopro. Pulmão. Poluição. Catavento. Ar. Criança. Distração. Corpo.Velhice. Morte. Evaporação. Casa. Imagem. Memória. Talhação. Caderno. Palavras. Tempo. Deglutição. Pés. Mar. Felicidade. Coração.


Quando chuva

Quando chuva eu era criança. A gente saía da escola correndo e chegava em casa parecendo pintinhos.
A mãe nos dizia, tira essa roupa molhada que é pra não adoecer!
Quando chuva a gente obedecia melhor a mãe porque tudo ficava mais lento e dava até vontade de obedecer. Aquele friozinho esquentava ainda mais o coração.
Quando chuva ela gritava da cozinha, venham comer, a comida tá na mesa!
Mas, quando chuva, a luz também ficava preguiçosa e ia embora. Era quando a mãe enchia a casa de velas e tudo ficava melhor. Os trovões davam medo, mas a mãe tava lá e nada podia nos acontecer.
O telhado mostrava sua gastidão. Aquele monte de buraco fazia a casa ficar toda ornamentada. Era um tal de balde aqui, bacia ali...
Quando chuva até o almoço ficava mais gostoso. Aquele cheirinho de terra molhada acariciava a pouca carne da penela. Mas não tinha problema, no fundo no fundo, a gente queria mesmo era o momento.
Éramos nós três. Eu, o irmão menor e a mãe.
Quando chuva depois do almoço a gente dor…