sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ode à pungência




Enfadonha-me a vida desse jeito!
De exceções para justificar o injustificável
De ser maioria quando o assunto é a falta
Quero mesmo é o calor, o contato, o suor
Que à boca não seja vetado o direito de amar
Que lhe seja permitido um clássico EU TE AMO
Que, na ausência das palavras, seja permitido o silêncio significante
Quero mesmo é sentir-me no outro 
Sem medo de a este ser proibido me olhar nos olhos e aceitar um chocolate por mim oferecido
Nego o estranhamento, o impedimento, a naturalização do inaceitável
Reivindico o simples, o leve...
Que a todos seja permitido apreciar o crepúsculo de um dia calmo, o perfume das coisas, os olhares perdidos/achados
Baterei na porta da felicidade até que ela me atenda 
E só descansarei quando não mais precisarmos forjar um último dia do ano.


5 comentários:

  1. que coisa boa seria ver o mundo assim. mas já é um grande passo ter gente que projete o porvir dos sonhos. já amolece bastante a vida. belo texto. joao

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  2. "Quero mesmo é o calor, o contato, o suor
    Que à boca não seja vetado o direito de amar"

    E tanto que a gente luta pra ser "humano" nessa vida nean?!

    E te desejo, entrando na onda do "happy new year": "todo amor que houver nessa vida"


    Bjaum, minha cara poetisa!

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  3. Sabe quando o autor se joga em seus escritos? Tenho a impressão que escreves assim. Talvez o adjetivo certo seja sensibilidade...

    Que tua voz não cale, tens muito para falar...

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  4. Da maioria
    o estranhamento
    a ausência
    das palavras reais.
    Me restou fugir
    com o poema vivo.

    Do caminho -
    mortos
    por
    mortos -
    evito
    trilhas
    não humanas
    fetiche
    de felicidade.

    Reivindico
    o simples verso
    que me emocione
    que me devolva
    o direito
    de sonhar.

    Lee Flôres Pires

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