Pular para o conteúdo principal

Mediocridade, dá um tempo!



Já nem faz tanto tempo assim ou faz?
Minha memória rouca insiste.
(...)
A falha é a melhor demonstração das tentativas. Dela podemos resgatar aquele eu que, por muitas vezes, tentou.
(...)
Mas o dia segue cinzento, como que dizendo:
- Não, eu não te quero.
(...)
Pessoas andarilhas passam.
Passeiam e, até mesmo, estacionam.
O trânsito tomou suas vidas, não tem jeito. Estão engarrafadas.
O sinal parece sempre estar vermelho.
Não há espaço para o sossego, a ousadia e a violência do amor (en)carnecido (aquele que, de tão suave, enternece e escarneia).
(...)
Queria eu o vibrar da garganta de um poeta.
Mas não, minhas palavras são usadas.
Fracas.
Com sinônimos.
(...)
O que eu desejo? perguntaria você.
Uma injeção de vida para uma veia bem pulsante.
O rasgar da pele, por pura vontade de ter.
O abuso do sorriso zombeteiro.
O frescor daquele cheiro que senti aos cinco anos, quando a vida era toda minha.
(...)
E eu te pergunto, meu caro.
É nessa merda que planejas teu pranto?
(...)
A mim não serve. Devolvo.
Prefiro suar no tempo onde as pessoas burlam as leis criadas pelas hordas da moralidade fétida.
Junto-me aos ácidos de pensamentos, molhados de sentimentos e vulgares de coração.


Por Natália Freitas


Comentários

  1. Pra memoria rouca:
    gengibre.
    Para andarilhos:
    caminho.
    Para o que não serve:
    devolução.

    ResponderExcluir
  2. Lee, adorei a casadinha. Obrigada pelo presente!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Memória, a paga do tempo

- Eu rasgaria o tempo assim pudesse!
- O tempo não, a lembrança dos que dele lembram.

(...)

Vejo uma rua.
Sessenta e quatro ladrilhos a me apontar que o esgoto ainda fede.

(...)

Baco treme em risos e avisa a Zeus que a composição desta estória está vermelha de seus melhores vinhos.

(...)

Direcionam ao meu front canalhices de toda ordem. E até me fazem crer que a minha história anda atordoada, esquizofrênica.

(...)

E lhes respondo: Sim. Na minha esquizofrenia, ouço vozes de um passado expurgado com sangue, silêncio e dor.

(...)

E a minha história, meu caro, agora acende um cigarro, respira fundo e espera as cortinas se abrirem para o espetáculo recomeçar!


Por Natália Freitas



Cabrita solta

Há tantas elas em mim Negras há Indígenas também Há tantas elas em mim Amasiadas Largadas Amadoras Rasgadas Sabedoras Há tantas elas em mim E por todo lugar que passo Uma delas tá ali Em dia de sol danado Solta o aço dos dentes Há tantas elas em mim Passeia molhada e descalça De ventre esguio e cabelos maremotos Há tantas elas em mim Saiu sozinha na madrugada Quebrou regras, vielas Ergueu o copo limpo questionável Brindou à morte, aos orixás, à vida Kalunga Há tantas elas em mim E não há nenhuma Que detenha Explique Defina Nesse mundo todo Quem delas mais assobia: Muié, eu to aqui


Por Natália Freitas

Um risco

há um encanto em suas linhas
um punho que apruma e ruma ao novo
giro e mais giro. e outro giro. tu te mostras
extrapola os teus círculos. posso sentir
caligrafia obedecida
voz empostada
sobraram as brechas
preenchidas pelas deformidades
avulsas
incoerentes
tangentes
de um mesmo caminho solitário
que une a todas nós
somos letra pra fazer poema
somos alfabeto pra fazer revolução

Por Natália Freitas