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Mediocridade, dá um tempo!



Já nem faz tanto tempo assim ou faz?
Minha memória rouca insiste.
(...)
A falha é a melhor demonstração das tentativas. Dela podemos resgatar aquele eu que, por muitas vezes, tentou.
(...)
Mas o dia segue cinzento, como que dizendo:
- Não, eu não te quero.
(...)
Pessoas andarilhas passam.
Passeiam e, até mesmo, estacionam.
O trânsito tomou suas vidas, não tem jeito. Estão engarrafadas.
O sinal parece sempre estar vermelho.
Não há espaço para o sossego, a ousadia e a violência do amor (en)carnecido (aquele que, de tão suave, enternece e escarneia).
(...)
Queria eu o vibrar da garganta de um poeta.
Mas não, minhas palavras são usadas.
Fracas.
Com sinônimos.
(...)
O que eu desejo? perguntaria você.
Uma injeção de vida para uma veia bem pulsante.
O rasgar da pele, por pura vontade de ter.
O abuso do sorriso zombeteiro.
O frescor daquele cheiro que senti aos cinco anos, quando a vida era toda minha.
(...)
E eu te pergunto, meu caro.
É nessa merda que planejas teu pranto?
(...)
A mim não serve. Devolvo.
Prefiro suar no tempo onde as pessoas burlam as leis criadas pelas hordas da moralidade fétida.
Junto-me aos ácidos de pensamentos, molhados de sentimentos e vulgares de coração.


Comentários

  1. Pra memoria rouca:
    gengibre.
    Para andarilhos:
    caminho.
    Para o que não serve:
    devolução.

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  2. Lee, adorei a casadinha. Obrigada pelo presente!

    ResponderExcluir

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Memória, a paga do tempo

- Eu rasgaria o tempo assim pudesse!
- O tempo não, a lembrança dos que dele lembram.

(...)

Vejo uma rua.
Sessenta e quatro ladrilhos a me apontar que o esgoto ainda fede.

(...)

Baco treme em risos e avisa a Zeus que a composição desta estória está vermelha de seus melhores vinhos.

(...)

Direcionam ao meu front canalhices de toda ordem. E até me fazem crer que a minha história anda atordoada, esquizofrênica.

(...)

E lhes respondo: Sim. Na minha esquizofrenia, ouço vozes de um passado expurgado com sangue, silêncio e dor.

(...)

E a minha história, meu caro, agora acende um cigarro, respira fundo e espera as cortinas se abrirem para o espetáculo recomeçar!



Guerras

Estou agora numa leitura.
Sobre um tempo de guerras e de pessoas costurando dignidades.
Estou agora absorta em mim. O livro já está sobre o colchão e eu em ti.
Não é possível, disse-me o tempo. É urgente, disse-me a memória.
Ela vagou sobre mim. Abriu uma trincheira insólita.

Vejo meu corpo deitado. Estou molhada da lama. E olho para o céu.
Uma vontade dilacerante de te contar por onde andei esses anos.
A razão me pune. Diz pra eu ficar muda e intacta.
A lama continua a umedecer minhas costas e cabelos.
E eu agora só queria te contar cada página desse livro, como nos velhos tempos.
A razão me chama tola. Me deixa de castigo, ali.. com o corpo úmido de lama.
Então me viro. Puxo o lençol e fecho os olhos.
Outro bombardeio.

"Todo amor que houver nessa vida"

Este texto não é para você, leitor algum, leitor qualquer. Também não o é para aquele que o acha que é: alguma coisa, alguma crítica. Aqui cabe muito mais.

São palavras retorcidas de minhas entranhas que só buscam nascer. Mas eu me estremeço, me torço, me encolho. Finjo que durmo. É mais fácil. E na calada da noite uma dor muito forte me toma. Chamo o médico. Ele não vem. O parto é inesperado.  E, por entre as últimas fagulhas da penumbra, eis que me deparo com um leito molhado, suado, de lençóis manchados. Pois é, elas saíram. Não têm meus olhos, nem meu torto nariz. Entretanto, não fogem ao seu destino de joelho. Como todas as outras: berram, exigem atenção e comida. Também, como todas as outras, me enebriam com o cheiro particular, com o macio da pele, com a tranquilidade do melhor dos sonos. E, quando parecem minhas, lançam-se a  fazer companhia a um outro qualquer.