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Memória, a paga do tempo

- Eu rasgaria o tempo assim pudesse!
- O tempo não, a lembrança dos que dele lembram.

(...)

Vejo uma rua.
Sessenta e quatro ladrilhos a me apontar que o esgoto ainda fede.

(...)

Baco treme em risos e avisa a Zeus que a composição desta estória está vermelha de seus melhores vinhos.

(...)

Direcionam ao meu front canalhices de toda ordem. E até me fazem crer que a minha história anda atordoada, esquizofrênica.

(...)

E lhes respondo: Sim. Na minha esquizofrenia, ouço vozes de um passado expurgado com sangue, silêncio e dor.

(...)

E a minha história, meu caro, agora acende um cigarro, respira fundo e espera as cortinas se abrirem para o espetáculo recomeçar!



Comentários

  1. gostei muito de tudo aqui.
    nesse texto me senti nesse passeio cinza. Sou mais um fantasma nessa cidade - eu e você.

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Guerras

Estou agora numa leitura.
Sobre um tempo de guerras e de pessoas costurando dignidades.
Estou agora absorta em mim. O livro já está sobre o colchão e eu em ti.
Não é possível, disse-me o tempo. É urgente, disse-me a memória.
Ela vagou sobre mim. Abriu uma trincheira insólita.

Vejo meu corpo deitado. Estou molhada da lama. E olho para o céu.
Uma vontade dilacerante de te contar por onde andei esses anos.
A razão me pune. Diz pra eu ficar muda e intacta.
A lama continua a umedecer minhas costas e cabelos.
E eu agora só queria te contar cada página desse livro, como nos velhos tempos.
A razão me chama tola. Me deixa de castigo, ali.. com o corpo úmido de lama.
Então me viro. Puxo o lençol e fecho os olhos.
Outro bombardeio.